Estarreja: Arroz com todos

29 de janeiro de 2026
Partilhar artigo:

Notícia PÚBLICO

Crónica de João da Silva

Sempre que possível, mantenho-me afastado das autoestradas. São caras e chatas. Há uns meses, perdi-me numa estrada nacional — também evito usar GPS — e fui parar ao Largo dos Heróis da Grande Guerra, em Estarreja, concelho-natal de Egas Moniz.

(...) O incontornável «Museu Fábrica da História – Arroz» ocupa a antiga Hidro-Eléctrica, fábrica de descasque fundada em 1922 por Carlos Marques Rodrigues e encerrada em 1985. Este espaço é um pergaminho vivo da memória coletiva, guardião das histórias da cultura do bago que alimentou gerações no concelho. Durante a visita, deslumbro-me com a fotografia das mondadeiras a removerem ervas daninhas.

(...) Ana Marques, a guia, complementa: «Vinham descalças de longe e trabalhavam ao sol e à chuva o dia todo. Sapatos só para ir à Missa ao domingo. Mas dizem que eram felizes...». Mais à frente, num televisor onde passam continuamente os testemunhos de antigos trabalhadores, absorvo um fragmento da época: «Ao domingo ia-se receber o dinheiro e fazia-se um baile! E olhe assim era os dias da vida! Passava-se assim! Trabalhávamos, mas era alegre!»

Saio do museu. Do outro lado da estrada, está o mural Memórias. Nas paredes calcárias de uma antiga mercearia, a fotógrafa Camilla Watson imprimiu fotografias e testemunhos de antigos trabalhadores da Hidro-Eléctrica. Rostos, gestos e relatos contam-nos uma história de trabalho, espírito comunitário e resiliência forjada numa atividade que desde o século XIX molda a paisagem e constitui uma das faces da identidade estarrejense.

—————————————

Crónica completa no site do Público. Link:Estarreja: Arroz com todos | Crónica | PÚBLICO 

Partilhar: