É doce e leva arroz: a nova iguaria de Estarreja promete dinamizar o comércio local

4 de junho de 2025
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Notícia PÚBLICO

É doce e leva arroz: a nova iguaria de Estarreja promete dinamizar o comércio local

No âmbito da estratégia de valorização dos bagos saídos do campo do Baixo Vouga Lagunar, o chef Luca Arguelles foi desafiado a criar um doce a partir do carolino produzido em Estarreja.

Têm o mesmo nome, são confeccionados com o mesmo ingrediente base — o arroz produzido nos campos do Baixo Vouga Lagunar —, mas a textura e o sabor diferem, ligeiramente, entre si. Um tem a forma de tarte de arroz doce e doce de ovos, e é cremosa e crocante. O outro apresenta-se como uma queijada de arroz doce e de coco leve, macia e aromática. Desde o último domingo, 1 de Junho, já estão ambos à venda em 20 confeitarias do município de Estarreja, na região de Aveiro. Basta entrar numa das pastelarias certificadas para a sua produção e pedir um estarrico, doce “rico em tradição, nutrientes e inovação”, exalta Isabel Simões Pinto, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Estarreja.

Foi há cerca de um ano que o município decidiu desafiar o chef pasteleiro Luca Arguelles a criar uma iguaria a partir a partir dos bagos que crescem nos campos das freguesias de Canelas e Salreu. Já são cada vez menos os orizicultores resistentes, porém, a autarquia quer contrariar essa tendência, pelo valor nutricional e sabor que o carolino de Estarreja tem, mas também pela importância que “o cultivo de arroz representa para a biodiversidade do BioRia [ecossistema da zona virada para a ria]”, repara a autarca. Isto para já nem falar da parte da história e tradição, que marcaram várias gerações de estarrejenses e moram agora no Museu Fábrica da História – Arroz (a antiga “Hidro-Eléctrica” de Estarreja, fábrica de descasque de arroz, foi requalificada e adaptada a unidade museológica).

Foi por lá que andou o chef Luca Arguelles antes de se fechar em casa para criar e testar receitas a partir do arroz de Estarreja. Também foi conhecer os campos de cultivo e outros recantos daquele território “para perceber o que o município tinha além do arroz”, conta, em declarações à Fugas. “Depois, comecei a fazer vários testes em casa que resultaram em dois doces diferentes. Como gostámos de ambos, ficaram as duas receitas”, enquadra, notando que a versão queijada “é vegan e sem glúten”.

Para disseminar a produção dos estarricos, foi feita uma acção de capacitação das confeitarias que responderam positivamente ao desafio.

O processo ainda está aberto a outras pastelarias do município, refere Isabel Simões Pinto, sendo que só terão acesso à receita os estabelecimentos aderentes à formação. “Há um pacto de confidencialidade com as pastelarias aderentes”, destaca a autarca. O próximo passo passará pela certificação deste doce que também pretende dinamizar o comércio local. “Quem nos visita pode levar um doce tradicional”, repara a vereadora.

Uma batalha em várias frentes

O novo doce surge, assim, enquadrado numa estratégia mais global, com vista a valorizar e incrementar a cultura do arroz naquele território. A partir da reabilitação da antiga fábrica de descasque de arroz, que deu lugar, em Setembro de 2024, a um espaço museológico de referência, “já aconteceram várias coisas positivas”, realça Diamantino Sabina, presidente da autarquia, enumerando a criação da Confraria do Cultivo do Arroz de Estarreja e, agora, a criação do estarrico.

A par com todas estas iniciativas, surgem ainda projectos como o Arroz com História: Tradição em Mãos e o Avivar Memórias. O primeiro convida o público a acompanhar as várias fases de cultivo nos campos do Baixo Vouga Lagunar, desde a sementeira até à colheita, e, sob a orientação de produtores de arroz do concelho, os participantes são desafiados a arregaçar as mangas e a entrar nos campos. No último dia 31 de Maio, houve convite para participar na plantação. Nos próximos meses, o público deverá ser chamado a participar na monda e na colheita.

Link: https://www.publico.pt/2025/06/04/fugas/noticia/doce-leva-arroz-nova-iguaria-estarreja-promete-dinamizar-comercio-local-2135366


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