Memórias da cultura do arroz

13 de fevereiro de 2026
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Notícia JN / EVASÕES

Uma antiga unidade de descasque de arroz, em Estarreja, acolhe agora um museu dedicado à preservação e promoção da cultura orizícula no concelho. As visitas à Fábrica da História são guiadas pelas memórias e testemunhos dos trabalhadores.

No topo da fachada, reconstruida à imagem da original, mantêm-se o nome A Hidro-Eléctrica, em memória da antiga vida do edifício, com uma adenda mais abaixo a anunicar um novo capítulo : Museu Fábrica da História - Arroz. Após 30 anos fechada, esta antiga fábrica de descasque de arroz foi resgatada da ruína e transformada num espaço museológico com a missão de preservar a memória e promover a cultura do arroz no concelho de Estarreja, o território orízicula mais a norte do país, onde ainda se produz o cereal. 

O projeto de reabilitação restaurou a identidade industrial do espaço - restavam apenas algumas das robustas paredes em pedra, com janelas emolduradas a tijolo burro, que sobreviveram ao tempo- partindo desse legado para construir a narrativa da exposição. " Esta fábrica sempre foi a materialização de um património", lança Juliana Cunha, coordenadora do museu. Mas uma fábrica não é só um edifício, é também quem lhe deu vida, e por isso importou desde o início envolver a comunidade. "Fomos para a rua à procura de pessoas que aqui tinham trabalhado, ligadas à cultura do arroz, familiares do fundador", conta a responsável. E é com o complemento destes testemunhos que se conta a história da produção de arroz na região - a disseminação da cultura remonta à década de 1840, entrelaçada com os mais de 60 anos de atividade d'A Hidro-Eléctrica (o nome remete para a central hidroelétrica construida para fornecer energia à fábrica).

O circuito começa num arrozal luminoso, uma instalação elétrica constituida por 720 lâmpadas led, que mudam de cor consoante as diferentes fases do ciclo do cereal, e optando pela visita sonora-emotiva- inaugurada em setembro, a pretexto do primeiro aniversário do museu - somos guiados pelas vozes de trabalhadores da antiga fábrica e pelas suas memórias.

Todos os meses há ainda visitas temáticas com diferentes convidados ligados à cultura do arroz. E ao longo do ano o museu organiza várias recriações gratuitas, levando os visitantes aos arrozais  para participar na sementeira, plantação, monda, colheita e descasque do arroz. Todas estas dinâmicas fazem da Fábrica da História "um museu vivo", onde se pode ir várias vezes, com a segurança de haver sempre algo novo a descobrir. Futuramente vai abrir um restaurante no segundo piso, dedicado ao arroz, claro.

 

Texto Ana Costa

Fotos Artur Machado

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